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ENCONTRO COM O AUTOR DE O MÁGICO DI Ó

No dia 17/09, uma terça-feira, a turma do 6o ano do Colégio Giordano Bruno teve um encontro com o autor da peça O Mágico di Ó, Vitor Rocha. Na ocasião os alunos tiveram a oportunidade de fazer perguntas ao autor sobre sua vida, carreira, obras e diversos assuntos.


Vítor é muito jovem, tem apenas 23 anos, o que chocou os alunos pelo fato de alguém tão jovem já estar escrevendo peças e roteiros “É muito atípico ver pessoas da minha idade lendo Guimarães Rosa, lendo poesia ou escrevendo, mas para transmitir mensagens pela escrita você não precisa de idade”, comentou o Vitor.


Silvia, uma das professoras, fez uma pergunta muito interessante sobre o sotaque dos atores utilizado na peça: “Durante a peça todos têm um sotaque bem forte, mas conversando aqui com você dá para notar que você não tem sotaque. Como foi isso?”, perguntou a professora de português. Vitor respondeu que era de Minas Gerais e tinha um sotaque bem forte, mas quando veio para São Paulo estudar teatro, acabou perdendo o sotaque. Ele também estudou prosódia, que é a maneira que os personagens falam, porque segundo Vitor, “a fala de um personagem diz muito sobre ele”. O sotaque da peça é um dos 19 sotaques nordestinos. O escolhido por eles foi o de Natal, já que no elenco havia um natalense que podia ajudar bastante quando eles erravam a pronúncia de algo, já que era o sotaque de seu local de origem.


“A primeira versão do Mágico foi em 2014. A peça foi encenada por crianças de 7 anos e eu dirigi, então não fui para o palco, a gente ainda não tinha as músicas originais, nós só criamos 6 anos depois, aqui em São Paulo. No lugar das nossas músicas usamos Asa Branca e outras músicas da cultura nordestina. A peça começou mesmo como um projeto de escola, mas eu guardei aquela ideia porque me orgulhava de ter criado um ‘Mágico de Oz’ que se passava no nordeste.”, ele conta.


Lucas Cavalcante, aluno do 6o Ano, perguntou: “Quando vocês estavam em cena aconteceu alguma coisa que estava fora do roteiro e vocês tiveram que improvisar?” Vítor respondeu que sim: “muitas vezes, na peça, o cenário é composto de malas e todo mundo troca de roupa em cena. Talvez vocês não tenham visto, mas essa é uma peça que não tem coxia, ninguém vai ao camarim. Então, quando a Dorotéia está falando com o Mamulengo, o Cabra de lata está trocando de roupa atrás, por exemplo. Então, imagina o que já não deu errado de não conseguir trocar de roupa, da mala não estar no lugar que deveria?! Para ter uma ideia, na estreia a casa do mágico, que eram malas empilhadas, caiu antes de eu chutá-las. A gente comeu metade da cena, não deu nem tempo de pensar, a Dorotéia estava cantando ainda e a mala PAF, então já começou a música do mágico e seguimos em frente. É muito difícil uma peça não ter imprevistos em cena.”.


A adaptação da peça O Mágico di Ó para o cinema foi confirmada e alguns alunos aproveitaram para fazer perguntas sobre o filme: “Eu fiquei pensando quanto tempo demora para fazer um filme. Um vídeo curto você fica quase o dia inteiro editando, então um filme de três horas por exemplo deve demorar muito né?I” perguntou Arthur Martins.


Vitor contou que eles tinham muitos equipamentos de som, microfone e câmera, mas como a peça fala muito do sertão e o sol, a escolha do diretor foi gravá-la com luz natural. “Não há uma lâmpada, um refletor no filme, tudo que foi filmado foi com o sol, isso muda muito no tempo de gravação, nós só podíamos gravar no horário de mais sol e com um sol bom, também não adiantava ficar o dia inteiro, porque se você começa a gravar 12:00 ou 13:00 o tempo vai passando e o sol não fica no mesmo lugar. Para quem está assistindo isso faz uma diferença, então o horário era apertado, nós acordávamos muito cedo para fazer a maquiagem, que não é uma maquiagem fácil, e ainda no calor de 40 graus e tendo que retocar o tempo todo... Depois, ficávamos de 6 a 7 horas gravando. Todo esse tempo de gravação dava em média uma cena de 4 minutos, porque a cena precisa ser gravada de todos os ângulos, então você faz a cena muitas vezes. O diretor brincava dizendo que nós tínhamos 22 horas de filmagem na câmera para um filme que vai ter 1h20. Quando concluímos o filme ainda seriam escolhidas as cenas com os melhores ângulos.”.


Os atores usam uma maquiagem muito peculiar na peça, com base branca e muitos traços pretos e os alunos perguntaram o que aquilo simbolizava. Segundo Vitor “o branco e o preto são muito presentes no cordel e a ideia era que eles parecessem um grande cordel no palco. Então eu quis alguns figurinos com toques de preto e branco e a maquiagem também, para dar um toque nordestino a peça. Quem fez esse trabalho foi o visagista. Ele viu a apresentação inteira e determinou uma maquiagem ou figurino que combinava com as personagens.”


O encontro foi muito divertido, vários alunos fizeram excelentes perguntas e ficaram sabendo mais sobre a peça e sua criação.


Prepare-se porque em breve o filme será lançado nos cinemas brasileiros.

Texto por Raissa Casale, 6ºano.

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